MARCELINHO HORA. FOTÓGRAFO, SERGIPANO, 36 ANOS.De fotografia, gosta
desde menino. Mas ainda não era o momento de seguir esse caminho
profissionalmente. Pertencendo a uma família que tem um conhecido e respeitado
trabalho no cenário artístico e de produção de eventos em Sergipe, durante
quase 20 anos, dividiu seu tempo entre as funções de produtor cultural e de sua
formação acadêmica, administrador. No entanto, a fotografia
jamais foi deixada de lado. Especialmente depois que ouviu que “fotografar é
brincar com as luzes”. Decidiu, então, que era o que queria fazer para o
resto de sua vida. E começou a escrever uma bela história com essas luzes e a
levar bem a sério essa 'brincadeira fascinante'. Comprou sua primeira
máquina e passou a experimentar seu dom e sua capacidade criativa para
registros fotográficos. Com o tempo, foi aguçando e aprimorando essas
qualidades inatas. Pesquisou, estudou, aprofundou técnicas, adquiriu melhores
equipamentos. Seu portfolium atual, resultado da paixão de sempre
por essa arte, já soma um banco de imagens com mais de 5
mil fotos. Ora em p&b, ora em
uma profusão de cores, se apropria de cenas da vida e as transforma em belas
obras congeladas. Vemos em suas fotos, o resultado da expressão de um trabalho
feito com afeto e sensibilidade, de alguém que aceita a vida e seus aspectos
cotidianos de forma generosa e indiscriminada, e tenta, sobretudo, entender
antes, para só depois registrar os lugares, as pessoas, as formas ao seu ao seu
redor. Marcelinho Hora recorta, seleciona e interpreta, criando imagens de
alquimia perfeita, nas quais residem seu conhecimento técnico, um elaborado
processo criativo e a força do seu olhar. Olhar de quem enxerga além dos olhos,
seja em cliques de animais, de pessoas, de objetos, de esportes, da natureza,
enfim, a diversidade de coisas que formam seu cotidiano. Seu equipamento,
instrumento na mão do criador, dá possibilidades que resultam em capturas
tremendamente belas do ocorreu uma única vez e não voltará a se repetir da
mesma forma. E o fotógrafo está sempre em companhia não só desse equipamento,
mas de um chapéu ou boné. Tímido? Talvez. Ou seria camuflagem? A verdade é que fica em
cena para fotografar e não pensa em si mesmo, mas no que vê, sendo um perfeito
cúmplice de momentos eternizados e sem interferência alguma. Uma ação quase
invisível; um ato sempre notável. Sua fotografia é o seu
olhar do mundo no qual sempre esteve imerso, e se “A boca fala do que o
coração está cheio”, seu trabalho autoral reflete a sua própria história de
vida, os seus relacionamentos e experiências, os lugares por onde passou. Tudo
foi e é inspiração para suas séries e coleções. Talvez por isso a
fotografia musical seja o ponto alto do seu trabalho, afinal, conviveu com
esses artistas mais da metade de sua vida por conta de seu trabalho como
produtor cultural. E talvez por isso tenha mania de dizer: “Sem a música,
talvez a fotografia não existisse para mim profissionalmente”. FOTOGRAFIA MUSICAL Seu trabalho com
fotografia musical teve início há um pouco mais de 10 anos e possui imagens
fortes, contundentes e atemporais. Seja com luz artificial ou natural, lutando
contra situações às vezes adversas de iluminação, de localização e condição dos
palcos, dentre outros, surpreende por sua ousadia e irreverência, expondo sempre
uma imagem inédita dos retratados, que iluminados, na verdade, de dentro para
fora por se sentirem valorizados, sempre se sentem belos e surpresos com suas
imagens. Marcelinho fotografou bandas em ensaios, estúdios, passagens de
sons, em externas e making of de
clipes, mas a maioria de suas fotos é tirada durante os shows, seja em grandes
festivais, ou em locais mais alternativos, de cima dos palcos, ou da
perspectiva do público. E para conseguir
fotografias de shows sempre tão cheias de vida, vigor e energia, possui uma
qualidade importante: antecipa-se ao que está por vir, prevendo o inesperado,
para que, na hora H, efetue o disparo sem demora. Fica por muito tempo lançando
pelas suas lentes esse olhar, esperando o momento certo. Como um franco atirador,
sempre bem posicionado. Seu ato de fotografar
surge de uma forma peculiar de observação, de um esforço gigantesco para
capturar os melhores ângulos e enquadramentos dos artistas em ação. E assim, Marcelinho
estanca um tempo eternamente, de forma horizontal ou vertical. Já foram registradas por
sua lente imagens de grandes nomes da música nacional, a exemplo de Fernanda Takai, Zeca Baleiro, Nando Reis,
Pitty, Nação Zumbi, NX Zero, Leonardo, Waldick Soriano, Cordel do Fogo Encantado, Ed Mota, Rita Ribeiro,
Angra, Lampirônicos, The Honkers, Leela, Shamã e Garage Fuzz. E de forma
mais intensa, registrou artistas sergipanos como: Rubens Lisboa, Paulo Lobo,
Mosaico, Naurêa, Vitais, Nino Karva,
Conexão 69, Alex Santanna, Triste fim de Rosilene, [maua], Reação, Warlord, Da boca ao reto, Plástico Lunar, Rótulo, Ode ao
Canalha, Gee-o-Die, Inrisório,
Snooze, Lacertae, Pífanos
de Pife, Words Guerrilla,
Patrícia Polayne, Sibberia,
Cartel de Bali, Maria Scombona, Alapada
e Java. Almas, emoções,
movimentos; transgressão, liberdade, imortalidade; tudo o que, de acordo com
seu olhar, merece ser visto sempre. E é assim que tem criado com o seu publico
e com seus fotografados uma relação de cumplicidade e de resgate, troca e
revolução cultural, que é seu objetivo como fotógrafo. PUBLICAÇÕES,
EXPOSIÇÕES E FOTOJORNALISMO Essa relação de parceria
entre Marcelinho Hora e os artistas locais, que começou tendo ampla
divulgação no seu Flickr (site
especializado em exposição de fotografias) e ainda nas páginas de alguns desses
artistas na internet e páginas
especializadas em música, resultou em vários e pioneiros projetos de divulgação
da música sergipana. Com as bandas Maria Scombona, [maua] e Sibberia, e com o cantor Paulo Lobo, trabalhou na produção
de fotos para os encartes de seus CDs mais recentes, intitulados “Mais um de
nós”, “What death
leaves behind”,
“Imaginário” e “Lobotomia”, respectivamente. Em conjunto com agências de design, publicidade e
propaganda e produtoras, participou da elaboração de peças de divulgação
impressas como cartazes, flyers e outdoors,
e de peças para sites. Esse tipo de trabalho, inclusive, é um 'braço' da
fotografia que o Marcelinho Hora realmente gosta, e já foi realizado com grupos
como Cartel de Bali, Sibberia, Mosaico, Maria Scombona, e os cantores como Alex Sant'anna
e Patrícia Polayne. Ainda mostrando como a
fotografia musical foi determinante para sua profissionalização, vale ressaltar
que o reconhecimento de seu trabalho como fotógrafo pela sociedade local foi
solidificado após uma turnê realizada em 2003 com a banda Maria Scombona pelo nordeste. A passagem pelas cidades de
Garanhuns - PE, Salvador – BA e Fortaleza e Sobral, ambas no Ceará, resultaram
em uma exposição realizada em no mesmo ano na antiga Casa Laranja, localizada
no Centro Histórico de Aracaju, e intitulada “O SET DA MARIA”. Depois de um tempo sem
realizar mostras do seu trabalho, e como prova de sua sensibilidade e
versatilidade relacionadas a todas as possibilidades da fotografia, aceitou o
convite da AMA - Organização Não-Governamental Amigos dos Animais - , para realizar, em 2007, a exposição fotográfica
“ANIMAIS: REALIDADES OPOSTAS”. As imagens registradas mostraram lados
antagônicos vividos por estes seres vivos: animais abandonados versus
posse responsável de animais. Percorreu ruas, abrigos, pet-shops,
dentre outros, em sua busca por imagens que retratassem o tema. No mesmo ano, de volta à
temática musical, participou da exposição “5 ANOS DA
RUA DA CULTURA”, na qual ele expôs algumas de suas fotos dos artistas que
passaram por lá. Para quem não conhece, a Rua da Cultura é uma iniciativa bem
sucedida e apoiada pelo Ministério da Cultura, que acontece em Aracaju, no
Centro Histórico, e recebe artistas de diversas manifestações culturais do
estado e do país. Apaixonado por desafios,
em 2007 embarcou em uma nova empreitada: o fotojornalismo. Fez o registro das
imagens que ilustravam as reportagens feitas pelos jornalistas da FUNCAJU -
Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esporte, disponível na página da
Prefeitura Municipal de Aracaju na internet. Os temas das matérias
tratavam dos mais diversos assuntos relacionados à cultura, eventos, esportes e
atividades de inclusão social. Suas fotografias também
foram divulgadas em sites locais, como ASN – Agência Sergipe de Notícias -, Infonet, Emsergipe.com, Cinform
Online, JC Online, Lig TV, Emes
Centro de Eventos, em portais mundialmente conhecidos, como Overmundo,
Fotolog, Palco MP3 (Site Terra) e da Revista Raiz
(Site UOL), e até na página de relacionamentos mais acessada atualmente na
rede, o Orkut. Seus trabalhos ainda foram publicados e divulgados em todos os
jornais impressos de Aracaju: Cinform, Correio de
Sergipe, Jornal da Cidade, Jornal do Dia. Todos esses registros
podem ser conferidos em seu clipping eletrônico. PROJETOS E FUTURO A criação da home page de Marcelinho Hora foi o passo inicial para
um futuro a ser dedicado ao seu trabalho fotográfico de forma cada vez mais
profissional. Agora, para dar continuidade a essa nova meta, trabalha
atualmente em um projeto ligado à fotografia musical e que resultará em uma
exposição já batizada de “Heróis invisíveis”. São mais de dez anos de
fotografia a serem organizados e passados a limpo, com o objetivo de contar a
história dos músicos locais, que ele conhece como poucas pessoas. A exposição
acontece no final do próximo semestre. A movimentação no cenário
musical de Sergipe é enorme, mas muitos artistas não possuem apoio e
reconhecimento. Hoje, esse olhar de Marcelinho tem sido a janela da alma
da música em Sergipe. É por isso que seu trabalho fotográfico, totalmente
autônomo e feito por amor à arte, tem grande importância. A música sergipana, essa
ilustre desconhecida, precisa ser notada e o fotógrafo busca revelar sua força
com ângulos sempre surpreendentes, captando o invisível aos olhos de muitos.
Para o fotógrafo, quando se conhece e valoriza a produção cultural de sua
terra, se tem contato direto com a sua essência, com aquilo que torna as
pessoas de um lugar singulares, diferentes do baiano, do alagoano, do carioca,
do paulista, e ele espera que, com a realização desse grande projeto, as vozes
e sons da música sergipana sempre possam encantar a todos e ecoar através de
sua fotografia. Enquanto trabalha para
realizar tudo isso, Marcelinho Hora aproveita também para escrever reviews sobre
música, artistas, CDs, DVDs, livros, shows e eventos culturais de uma forma
geral em seu blog, e continua a “brincar com as luzes” e a
trabalhar em suas séries e coleções de registros com temáticas gerais, seguindo
a essência de sua boa fotografia: encantar por mostrar aquilo que estamos
sempre vendo, como se nunca tivéssemos visto. A essência de sua arte
está em enquadrar um mundo, muitas vezes só visível a artistas tão talentosos,
revelado para nós por seu olhar especial e insubstituível. O amor, o talento, o
êxtase, a imaginação e a criatividade, são dele. A
surpresa, o fascínio, o presente, o espetáculo, o aplauso, são de todos nós. E se “uma imagem vale mais que mil palavras”, essa é uma perfeita citação para terminar esse texto e convidar você a conhecer as belas fotografias que formam o portifolium de Marcelinho Hora. Milena Ninck, jornalista |
